Febre hemorrágica da Crimeia-Congo
A febre hemorrágica da Crimeia-Congo, ou CCHF, é uma doença viral que se espalha principalmente por carrapatos infectados e pelo contato com o sangue ou tecidos de animais ou pessoas infectadas. É uma das doenças virais graves transmitidas por carrapatos mais amplamente distribuídas, com relatos em partes da África, dos Bálcãs, do Oriente Médio e da Ásia. A doença geralmente começa de forma súbita com febre, dor muscular, dor de cabeça, vômito e diarreia. Alguns pacientes desenvolvem sangramentos e falência de órgãos. A gravidade varia conforme o surto. Em um surto relatado pela OMS no Iraque em 2022, 13 dos 97 pacientes confirmados em laboratório morreram. Não há vacina aprovada amplamente disponível para pessoas nas fontes usadas aqui. O cuidado é principalmente de suporte, ou seja, tratamento da desidratação, sangramento e problemas nos órgãos. Ribavirina tem sido usada, mas a OMS observou em 2022 que ensaios clínicos randomizados não mostraram eficácia. A preocupação em saúde pública é maior onde as pessoas estão expostas a carrapatos Hyalomma, gado ou sangue de pacientes infectados sem controle rigoroso de infecção.
Fatos principais
| Transmissão | Picadas de carrapatos, esmagamento de carrapatos infectados, contato com sangue ou tecidos de gado virêmico e contato direto com sangue ou tecidos de pessoas infectadas durante a fase aguda. |
|---|---|
| Incubação | desconhecido |
| Letalidade | Varia conforme o surto; a OMS relatou 13% (13/97) entre casos confirmados em laboratório no Iraque em 2022, e 39% (13/33) entre casos confirmados no Iraque em 2021. Um único número geral é desconhecido nas fontes usadas aqui. |
| Número de reprodução | desconhecido |
| Vacina | Nenhuma vacina disponível para pessoas ou animais foi relatada pela OMS em 2022. |
| Tratamento | Principalmente cuidados de suporte. Ribavirina tem sido usada, mas a OMS relatou que não há evidência de eficácia em ensaios clínicos randomizados. |
| Reservatório | O vírus circula entre carrapatos, especialmente espécies Hyalomma, e vários hospedeiros vertebrados incluindo gado, sem causar doença óbvia nesses animais. |
| Regiões endêmicas | África, Bálcãs, Oriente Médio e partes da Ásia, incluindo países ao sul do 50º paralelo norte; a revisão de 2020 também menciona o subcontinente indiano. |
Transmissão
A CCHF geralmente alcança as pessoas de três formas principais. Primeiro, carrapatos infectados podem transmitir o vírus ao picar. Segundo, as pessoas podem ser expostas ao manusear gado ou tecidos animais se esses animais estiverem com o vírus no sangue. Terceiro, a transmissão pode ocorrer de pessoa para pessoa por contato direto com sangue ou outros fluidos corporais durante a fase aguda da doença. O relatório da OMS de 2022 do Iraque disse que a maioria dos pacientes confirmados teve contato direto com animais e muitos eram criadores de gado ou açougueiros. Isso corresponde à evidência da revisão mais ampla, que descreve a CCHF como uma infecção transmitida por carrapatos, especialmente Hyalomma. A mesma revisão também menciona transmissão após esmagar carrapatos infectados e durante contato próximo com pacientes infectados. Para contato casual comum, as fontes usadas aqui não mostram a transmissão como via principal. O risco é maior onde há exposição a carrapatos, abate de animais ou cuidado sem proteção a pacientes doentes.
- Crimean-Congo haemorrhagic fever. Europe PMC · 1 de abr. de 2006
- Crimean-Congo Hemorrhagic Fever - Iraq WHO · 1 de jun. de 2022
- Towards a Sustainable One Health Approach to Crimean-Congo Hemorrhagic Fever Prevention: Focus Areas and Gaps in Knowledge. Europe PMC · 7 de jul. de 2020
Sintomas e gravidade
A CCHF frequentemente começa de forma súbita. A fonte geral lista febre, dores musculares, dor de cabeça, vômito, diarreia e sangramento na pele como sintomas possíveis. Complicações podem incluir falência hepática. A doença não se apresenta igual em todos os pacientes. Algumas pessoas se recuperam em cerca de duas semanas após o início dos sintomas, enquanto outras ficam gravemente doentes e precisam de cuidados intensivos de suporte. As fontes usadas aqui não fornecem um único número confiável global de letalidade, portanto é mais seguro descrever a gravidade como variável. O relatório do surto da OMS no Iraque dá um exemplo claro recente: entre 97 casos confirmados em laboratório reportados de 2022-01-01 a 2022-05-22, 13 pessoas morreram, uma taxa de letalidade de 13%. O mesmo relatório da OMS também notou que o Iraque reportou 33 casos confirmados com 13 mortes em 2021, uma proporção muito maior naquele ano. Esses números mostram por que a CCHF é levada a sério, mesmo que os desfechos variem entre locais e surtos.
- Crimean–Congo hemorrhagic fever Wikipedia
- Crimean-Congo Hemorrhagic Fever - Iraq WHO · 1 de jun. de 2022
Tratamento e vacinas
O tratamento para CCHF é principalmente cuidados de suporte. Em linguagem simples, isso significa tratar os problemas do paciente enquanto o corpo combate a infecção: fluidos, monitoramento cuidadoso, produtos sanguíneos quando necessários e tratamento para falência de órgãos ou choque. O relatório do surto da OMS de 2022 diz que os casos humanos são tratados principalmente com cuidados gerais de suporte. O mesmo relatório diz que a ribavirina, um antiviral, tem sido usada em formas oral e intravenosa. No entanto, a OMS também afirma que ensaios clínicos randomizados não mostraram eficácia da ribavirina para tratar a CCHF. Isso significa que pode ainda ser usada em alguns lugares, mas a base de evidências é limitada. Sobre vacinas, as fontes usadas aqui são claras: a OMS relatou em 2022 que não havia vacina disponível para pessoas ou animais. Para o público, isso significa que a prevenção ainda depende principalmente de evitar exposição a carrapatos, reduzir contato arriscado com sangue ou tecidos animais e usar medidas rigorosas de controle de infecção na assistência à saúde.
- Crimean-Congo Hemorrhagic Fever - Iraq WHO · 1 de jun. de 2022
- Crimean-Congo haemorrhagic fever. Europe PMC · 1 de abr. de 2006
Onde ocorre
A CCHF tem uma ampla distribuição geográfica comparada a outras doenças virais graves transmitidas por carrapatos. A revisão da Lancet de 2006 diz que foi descrita em cerca de 30 países e que sua distribuição corresponde de perto à área conhecida dos carrapatos Hyalomma. Uma revisão One Health de 2020 diz que o vírus é disseminado pela Europa, Ásia, África, Oriente Médio e subcontinente indiano. O relatório do surto da OMS de 2022 apresenta um quadro regional semelhante, dizendo que a doença é endêmica na África, Bálcãs, Oriente Médio e países asiáticos ao sul do 50º paralelo norte. O Iraque é especificamente descrito pela OMS como país endêmico. No relatório da OMS, os casos de 2022 estavam distribuídos por vários governatorados iraquianos, com grande parte em Thiqar. O significado prático é que a CCHF não está confinada a um país ou a um foco passageiro. Persiste onde o vetor carrapato e os hospedeiros animais estão estabelecidos, especialmente em áreas com criação de gado e exposição humana regular a carrapatos ou sangue animal.
- Crimean-Congo haemorrhagic fever. Europe PMC · 1 de abr. de 2006
- Towards a Sustainable One Health Approach to Crimean-Congo Hemorrhagic Fever Prevention: Focus Areas and Gaps in Knowledge. Europe PMC · 7 de jul. de 2020
- Crimean-Congo Hemorrhagic Fever - Iraq WHO · 1 de jun. de 2022
Histórico recente
No arquivo deste site, a febre hemorrágica da Crimeia-Congo aparece em 9 avisos de eventos relacionados à OMS desde 1996. Os resultados históricos mostram avisos da África do Sul em 1996, Afeganistão e Paquistão em 1998, Federação Russa em 1999, Kosovo em 2001, Mauritânia em 2003, Turquia em 2006, Paquistão novamente em 2010 e Iraque em 2022. Esse padrão sugere eventos repetidos e dispersos, em vez de uma única onda global. O aviso mais detalhado recente da OMS disponível aqui é do Iraque em 2022-06-01. A OMS relatou 212 casos de 2022-01-01 a 2022-05-22, incluindo 97 casos confirmados em laboratório e 27 mortes no total. A OMS também disse que isso foi muito maior do que em 2021, quando 33 casos confirmados foram registrados no Iraque. Em sua avaliação de risco, a OMS vinculou o aumento da preocupação à exposição ao gado, abate sazonal e festivo, e possível disseminação transfronteiriça com movimento populacional e comércio de animais. A história recente, portanto, aponta para surtos recorrentes, frequentemente ligados a ambientes rurais de criação de gado.
- 1996 - Crimean-Congo Haemorrhagic Fever in South Africa WHO Disease Outbreak News · 5 de nov. de 1996
- 1998 - Crimean-Congo haemorrhagic fever in Afghanistan WHO Disease Outbreak News · 8 de mai. de 1998
- 1998 - Crimean-Congo haemorrhagic fever in Pakistan WHO Disease Outbreak News · 8 de mai. de 1998
- 1999 - Crimean-Congo haemorrhagic fever, Russian Federation (update) WHO Disease Outbreak News · 26 de jul. de 1999
O que observar
Vários sinais tornariam a febre hemorrágica da Crimeia-Congo mais preocupante. Um deles é a disseminação para novas regiões, especialmente onde carrapatos Hyalomma não estavam previamente estabelecidos. Revisões de doenças emergentes transmitidas por carrapatos alertam que as áreas de ocorrência dos carrapatos podem mudar, e a OMS já descreve a febre hemorrágica da Crimeia-Congo como tendo uma ampla zona endêmica. Um segundo sinal de alerta é a disseminação mais eficiente de pessoa para pessoa, especialmente em hospitais ou domicílios, porque as evidências atuais enfatizam o contato com sangue e tecidos em vez de transmissão fácil no dia a dia. Um terceiro é qualquer evidência mais forte de que as opções de tratamento estão falhando ou que a ribavirina está sendo usada apesar de evidências fracas em ensaios clínicos. Um quarto é o progresso da vacina estagnar, já que a OMS relatou que não há vacina disponível para pessoas ou animais. A avaliação da OMS sobre o Iraque também destaca períodos de aumento no movimento e abate de animais, que podem amplificar a exposição e aumentar a chance de disseminação transfronteiriça. Em resumo, observe nova geografia, transmissão associada a cuidados de saúde, pressão sobre diagnósticos e equipamentos de proteção, e qualquer mudança que aumente a exposição em torno do manejo ou abate de gado.
- Emerging Tick-Borne Diseases. Europe PMC · 2 de jan. de 2020
- Crimean-Congo haemorrhagic fever. Europe PMC · 1 de abr. de 2006
- Crimean-Congo Hemorrhagic Fever - Iraq WHO · 1 de jun. de 2022
- Towards a Sustainable One Health Approach to Crimean-Congo Hemorrhagic Fever Prevention: Focus Areas and Gaps in Knowledge. Europe PMC · 7 de jul. de 2020